O dia 19 de abril marca, no Brasil, o Dia dos Povos Indígenas. A data foi instituída em 1943, durante o governo de Getúlio Vargas, inspirada no Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México em 1940 — encontro que discutiu os direitos dos povos originários nas Américas.
Por muito tempo, ficou conhecida como “Dia do Índio”.
Mas esse nome nunca deu conta da realidade.
Em 2022, a data passa a ser reconhecida oficialmente como Dia dos Povos Indígenas. Não é só semântica. É reconhecimento: são muitos povos, muitas línguas, muitas formas de existir — todas ainda aqui, apesar de séculos de apagamento.
Os povos originários atravessam minha obra há algum tempo. Com os anos, deixaram de ser um interesse pontual e passaram a ocupar espaço contínuo na minha produção.
Um dos primeiros movimentos aparece em Render-se, HQ iniciada ainda na faculdade. Após pesquisa e uma série de estudos — incluindo pintura corporal, seus significados e usos — a história, que havia sido engavetada, foi retomada, redesenhada e publicada em 2023 na revista O.Q de Quadrinhos nº 09.
Depois veio Marco Temporal. Em forma de charge, ela tensiona o direito à terra e questiona a ideia de que a Constituição de 1988 define o início da demarcação. Por essa lógica, povos expulsos de seus territórios não teriam garantido o direito de retorno.
A obra foi premiada em 2026 no edital da Artigo 19 Brasil, com foco na Amazônia e nos povos indígenas. Com 29 premiados, apenas dois são de Minas Gerais, sendo Jimmy um deles.
Em Onde estão os Yanomamis?, a pergunta é direta. E incômoda. Não trata de ausência, mas de invisibilização — de um país que, muitas vezes, escolhe não ver.
Esse percurso se expande para a literatura. No conto Aquele que veio pelas águas (2025), publicado pela Valleti Book na antologia Entre o Céu e a Terra, revisito o roteiro de Render-se. A narrativa se passa em um Brasil pré-Cabral, onde conflitos entre comunidades indígenas se cruzam com o surgimento de um herói — e, mais uma vez, o território se impõe como questão central.
Refletindo sobre a minha produção, chego à conclusão de que talvez minha obra não seja sobre respostas. Talvez seja sobre tensionar o silêncio.
No fim, não é sobre uma data.
É sobre quem nunca deixou de estar aqui.
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